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Sem Legenda

A reunião convocada para a tarde desta quarta-feira (29) entre o deputado federal Nilson Leitão (PSDB) e a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) não cumpriu sua principal função: apagar o incêndio da nova crise instalada na chapa governista. A ausência de Selma, que foi quem solicitou o encontro, acabou por jogar mais gasolina na fogueira acesa pela disputa por tempo de televisão entre os senadores do grupo de Pedro Taques (PSDB). A magistrada aposentada ameaça ir à Justiça para abocanhar metade do tempo de televisão destinado ao PSDB. Os outros partidos da coligação discordam.

Leitão entende que deve ficar com a propaganda integral do PSDB e Selma do PSL e defende uma divisão somente do tempo dos demais partidos aliados. A tese é compartilhada pelas demais agremiações que compõem a coligação “Segue em frente Mato Grosso”, conforme ficou claro na reunião realizada nesta tarde. Selma, que preferiu não sentar à mesa com os tucanos, mandou seu advogado, Diogo Sachs, a representando. O deputado federal Victório Galli, presidente do PSL em Mato Grosso, também esteve na reunião defendendo os interesses da correligionária.   
 
Ao final da reunião, Paulo Borges, presidente estadual do PSDB, afirmou que a tese de Leitão é a acatada pela maioria. Seguindo essa estratégia, o tucano deverá ter 1 minuto e 4 segundos de tempo de horário eleitoral, enquanto Selma terá 28 segundos para se apresentar ao eleitor na propaganda gratuita. Borges ainda tentou dar uma ar de resolução ao problema, mas acabou por admitir que uma conversa direta entre Selma e Leitão é que poderia colocar uma pedra no assunto.
 
“Essa reunião deliberativa foi provocada pela candidata ao senado Selma Arruda, foi de plano acatado pelos partidos. Fizemos a reunião, deliberamos o entendimento, um alinhamento e tudo certo, tudo resolvido, e vamos trabalhar e pedir votos”, tentou minimizar. “A grande a maioria quase absoluta, menos o PSL, entendeu que cada partido fica com seu tempo”, completou.

“Isso ai foi um entendimento da grande maioria dos presidentes de partidos que formam a coligação. Nós tivemos a presença do deputado Nilson Leitão [na reunião]. Então eu quero aqui agradecer esse desprendimento do deputado Nilson, que pelo fato de a Selma não estar presente, ele saiu do recinto. Não participou, deixou que os presidentes tomassem conta. Então tudo o que nós decidimos aqui pode ser mudado em uma conversa do deputado Nilson com a juíza Selma, que eles deverão ter de hoje para amanhã”.

Diante da possibilidade de Selma recorrer à Justiça, Paulo Borges cobrou ponderação. “Eu acho que vai prevalecer o bom senso, a união do grupo, a lealdade, é isso que a gente prega. Tem um conjunto de candidatos que têm muito a ganhar e muito a perder caso haja uma briga. Nós não precisamos de uma briga interna”, argumentou.
 
O que Selma diz
 
A juíza aposentada Selma Arruda afirmou em entrevista concedida ao Olhar Direto na última segunda-feira (27) estava se sentindo prejudicada e que iria tentar negociar a divisão de tempo internamente antes de buscar meios legais. “Essa questão está sendo discutida na coligação. E eu me vejo prejudicada, porque a coligação na quer me dar isonomia, não quer me dar minha parte do tempo como eu tenho direito. Eu ainda estou em negociação, não é algo definitivo, mas se não me derem esse direito eu vou ter que recorrer à Justiça”, disse Selma Arruda.

A assessoria de imprensa da candidata se manifestou sobre o ocorrido por meio de nota. Confira abaixo na íntegra:

Nota de Esclarecimento

A coordenação de campanha da juíza Selma Arruda, candidata ao Senado pelo PSL, esclarece que a juíza não faltou a reunião realizada na tarde desta quarta-feira (29.08) no diretório do PSDB, já que a reunião era direcionada aos presidentes dos partidos. Como é de conhecimento público, o presidente do PSL em Mato Grosso é o deputado federal Vitório Galli, que compareceu ao encontro, acompanhado do jurídico do partido.

Cabe frisar que a referida reunião foi convocada pelo presidente do PSDB, o senhor Paulo Borges, e não pela juíza Selma Arruda, conforme divulgado.


A coordenação esclarece ainda que, ficou surpresa com a recusa do partido tucano em não dividir o tempo de programa eleitoral de forma igualitária com o PSL, sob a justificativa de não estar autorizado a dar palanque à Bolsonaro, no entanto, o PSDB queria coordenar à visita do presidenciável à Cuiabá, mostrando um incongruência no posicionamento.

Por fim, cabe informar a todos que não haverá nenhuma reunião nesta quarta-feira, pois a candidata cumpre agenda em Rondonópolis, inaugurando o QG Pró-Bolsonaro.